terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Si apagaran"


O ano de 2009 e quase 10, viu partir dois grandes nomes da cultura musical Latino-americana. Primeiro, Mercedes Sosa,(que ouso honrar aqui com o video) depois, Lhasa de Sela, no primeiro dia do ano.

Um dado comum: ambas multiculturais. A primeira, "bugre", ou "negra", filha de latino e mãe quechua; a segunda de mexicana e pai judeu libanês.

Revolucionárias ambas: a primeira por dar voz aos sem voz, a segunda por dar voz à tristeza.

A palavra em comum: o Castelhano (e outras línguas)

De Lhasa, destaco a lírica de uma canção de que gostei

Desierto (Lhasa de Sela)

He venido al desierto pa reírme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor
He venido a este centro de la nada para gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar

He ve nido al desierto pa reírme de tu amor
Que el de sierto es más tierno y la espina besa mejor
He ve nido a este centro de la nada pa gritar
Que tú nunca mereciste

He venido yo corriendo, olvidándome de tí
Dáme un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto para quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar

He venido yo corriendo, olvidándome de tí
Dáme un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto para quemar
Porque el alma prende fuego

He venido yo corriendo, olvidándome de tí
Dáme un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto para quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar

He ve nido al desierto pa reírme de tu amor
Que el de sierto es más tierno y la espina besa mejor
He ve nido a este centro de la nada para gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar
He venido yo corriendo, olvidándome de tí
Dáme un beso pajarillo, no te asustes colibrí
He venido encendida al desierto para quemar
Porque el alma prende fuego


fonte: http://max.space.free.fr/tabs/lhasa-el.desierto.html

De Mercedes, a voz encantadora:

http://www.youtube.com/watch?v=k4LJDTlviKw

domingo, 10 de maio de 2009

Malú




Deixou de brindar com a sua alegria, sempre contagiante, uma colega do Liceu de uma data de anos.

A Malú Segadães partilhou com todos nós, os do Liceu e Benguela até 1971, grandes momentos. Saliento um, em que participou comigo numa peça de teatro, no velho Monumental, apresentada apenas com dois ensaios. Nela fazia de empregada de uma abastada família, que não tinha pelos bons costumes grande conceito, no que diz respeito à vida afectiva regrada pela monogamia e o recato.

Tinha uma voz inconfundível que sobressaía da sua pouca altura.

Bem hajas Malú! um dia destes encontrar-nos-emos de novo, noutros teatros.



Viagem de finalistas do Liceu. Casa verde, Lubango. A Malú na última fila (5ª a contar da direita)

Vamos... para a Califórnia


Os Zeppelin, no fim dos anos 60 substituíram os Stones nas minhas preferências no "segmento" rock. Nisso não seguia os padrões dos meus amigos da adolescência, salvo uma ou outra excepção (o Luís Branco seria uma delas), mais agarrados aos musicáveis que passavam nos bailes de garagem ou de colectividade, como seriam os clássicos soul (Redding, Sledge ou Brown) ou dos dançáveis mais mexidos, como os rapazes do J. Foggerty ou do Alvin Lee.

Este "going to california" magnificamente acompanhado ao bandolin por John Paul Jones e, aqui menos exuberante, por Jimmy Page, é um som que gosto de reviver (recorro ao som para, por vezes, fazer um rewind polisensorial de períodos gloriosos da vida), sobretudo dos momentos que mais gostava do dia: o entardecer na Praia Morena, onde ía depois de algumas horas de estudo (poucas) como o Jinho Branco e as manas P. da Silva.


http://www.youtube.com/watch?v=e2DNwMuI96k

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ruas de Benguela



Esta avenida é para os benguelenses o eixo da cidade de asfalto.

Aqui do lado esquerdo era um lugar de peregrinação masculino: a barbearia do Montes.

Do lado direito, em frente daquela, ficava outro lugar de peregrinação: o bar Estrela, que, curiosamente se colocava de costas para a estátua de Baco (única em Angola).

Na peanha, seguramente a mesma, dançava um bailarino na sua tentativa de organizar o trânsito. Depois dela, ainda no lado esquerdo, ficava outro lugar de grande procura: a alfaitaria do Sampaio, já destruída pelo tempo, depois que o sampaio se decidiu por mudar de atelier.

Mais adiante, noutro cruzamento, do lado direito junto à Joframa, que antes fora um bar com direito a cerveja de pressão, do velho Guimarães, começava o passeio de todos aqueles e aquelas que buscavam razões para andarem bem vestidos(as), abaixo e acima (Casa Branca) virando por vezes para a Casa Latina.

Como dantes, o trânsito não é em demasia...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Esta era mesmo preciso ouvir

No momento em que uns milhões de seres humanos padecem da loucura do capitalismo liberal...

No momento em que o Engenheiro Sócrates resolve apoiar um dos que defende precisamente esse modelo de capitalismo para a Europa, simplesmente porque é porreiro pá! ....

No momento em que uns milhares padecem sem casa na Itália e sustentam um primeiro ministro que os acarinha, desejando que eles imaginem que estão só a passar uns dias num parque de campismo...

É preciso ouvir o que estes rapazes, que cantam um cante de outros rapazes mais velhos, têm para dizer.


http://www.youtube.com/watch?v=lLwDHaRZYII

domingo, 25 de janeiro de 2009

Aquecimento Global - os efeitos.



A povoação da Baía dos Tigres, ou melhor S. Martinho dos Tigres, actual Tômbua, apresentava nos anos setenta uma altitude média de 1,50m. Primeiro como colónia penal e depois como assentamento de pescadores algarvios (Olhão e Tavira), de escravos e depois, por contratados, está situada (Latitude. -16.6°, Longitude. 11.73°), numa estreita mas longa restinga, formada por depósito de areias provocado pela corrente fria de Benguela, na sua força para Norte.

Hoje, é um local abandonado. Dentro de outros trinta anos, tudo estará provavel e inevitavelmente submergido e as suas ruínas serão arrastadas mais para Norte, pela mesma corrente, que provavelmente terá menos força.



quinta-feira, 19 de junho de 2008



Caminhar perante esta quietude é tudo quanto queríamos depois de deixar outras terras para trás. O fundo e a raiz o mesmo: apenas mais a Norte e a Ocidente, na terra em que os hipopótamos são anões e atravessam as ilhas a nado.
Bubaque. 1979.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sons eloquentes

Todos nós, mergulhando no nosso passado, sem muito vasculhar, sentimos que nos vêm desfilar perante nós, alguns troços de melodias que alimentam o vício de olhar para o passado. Não aprendemos com história daquela rapariguinha que olhando para trás, se transforma em pedra. Mesmo sabendo do fim que nos baterá à porta, buscamos aí alguma energia, até mesmo tendo a noção de que as novas gerações nos castiguem com alguns dos seus mimos críticos.
Chamei aqui uma dessas melodias. De um grupo de pesoas notáveis que arrancaram do silêncio da mente (ajudados seguramente por fluidos libertadores) acordes que evoluem para polifonias maravilhosas.
(piquem na foto os que aqui vêm foi este som que quiz trazer aqui)

sexta-feira, 18 de abril de 2008


A natureza fornece em África tudo. Como a terra é de todos, dos vivos e dos antepassados, privar uma família de uma forma de sustento, carece de autorização. para que as saborosas mangas não desaparecessem num ápice, havia determinados truques que funcionavam mesmo.

A ver que muitas das árvores de fruto tinham fitas vermelhas penduradas nos ramos baixos, ou pedaços de corno de cabra, pequenas máscaras em madeira, molhinhos de palha... levou-nos a perguntar qual era o significado.

Com o ar mais espantado do que eu, a querer fazer um juízo de valor do tipo:" não sabia que Deus tinha feito tipos tão ignorantes", logo me esclareceu o papel de Quinhamel: obviamente, para que ninguém tirasse sem pedir. Se o fizesse, sujeitava-me à ira do Irã, simbolizado naqueles objectos.

E pronto. Por via das dúvidas, quando nos apetecia uma fruta ou víamos alguém, ou ficávamos de água na boca. Não fosse o diabo tecê-las.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

Caminhando por Noses e Voses

O Jorge Sá Pinto sem aviso prévio enviou-me um convite para o seu Noses e Voses.

Eu confesso que sou um aselha nestas coisas. Apesar de também ter um bolg, quase que imposto pelo meu irmão caçula, esse sim, parece que dá uns “tokes” nestas coisas. Mas sinceramente nem sei o que fazer no tal de meu blog a não ser meter lá umas fotos que na sua maioria são de minha autoria.
Agora que contributo poderei dar ao Noses e Voses? Não faço a mínima a ideia.
Mas posso tentar.
Jorge, a maka agora é tua.
Tu é que te lembraste de me convidar.
E depois de pensar o que poderei escrevinhar aqui, resolvi que vou falar de um período da minha vida, que vai de 1980 a 1982.
Foram dois anos na Europa. Eu que descendo de europeus, nunca tinha feito as imbambas para ficar tanto tempo nesse continente. Já tinha estado até a essa data nos países da Península Ibérica de férias.
Agora pegar nas imbambas e dizer aos familiares e amigos; então até daqui a dois anos…
Mas assim foi, e passei dois anos num país que já não existe. A Jugoslávia.
No Noses e Voses vou seguir por aí.

kandandus

Consultar o Irã


Carregue aqui para ver

Convívios - o dia do Melão.

Na Guiné Bissau. A cidade de Bissau era acolhedora e bem alegre. Apesar das diferentes culturas que por lá estacionavam ( em particular de Bissau) e diferentes tipos de trato, era excelente a forma como convivíamos.
Tudo era pretexto para nos encontrarmos, num espaço em que não abundavam as actividades e os filmes no Cine Udib, ou nos centros culturais das embaixadas, não ofereciam novidades ( um filme era projectado durante quinze dias, como era o caso do cinema público).
Um dos casais de portugueses com quem lidámos era o formado pelo Fernando e pela Cecília.
Sempre activo, o Fernando tinha uma bela horta. Como o terreno saibroso conquistado ao pântano era improdutivo, tratou de ir buscar terra da bolanha e adubo de galinha na granja. Uma das suas plantações foram os melões de Almeirim.
O dia da colheita foi logo aproveitado para um convívio internacional. Esses convívios permitiam a prática da partilha dos bens que constituíam a reserva de alimentos e bebidas fruto de providenciais encomendas dos familiares, permitia reduzir as diferenças e conhecermos um pouco de todos.

Juntavamos portugueses, russos, ukranianos, cubanos, guineenses, alemães, americanos etc ( nunca aconteceu com chineses ou coreanos (não calhou).

Celebrávamos, por isso, tudo quanto era data: O dia do Exército Vermelho, o dia da festa do Ramadão, o Natal em duas datas ( o católico e ortodoxo), a páscoa, o dia do estudante, da criança, do professor, do massacre do pidjiguiti, o dia da independência, o dia 25 de Abril....

Neste caso o do melão. Juntamos o pessoal no jango que ficava entre os dois pavilhões reservados aos cooperantes, no antigo quartel da marinha. Ora vejam:

















A primeira fatia cortada pelo chitaqueiro. ( O Luís Zuzarte foi o primeiro e a Manuela chupa um cigarro)











Mas agora foi a vez dela ( a Teresa aguarda)







A capar o melão. Desta vez o Luís Zuzarte ( infelizmente já falecido). Da esquerda para a direita o Pedro, seguido pelo Alberto, a Cecília chitaqueira, o Vladimir, a esposa do Pogossian, a Teresa, o Luís, o Manuel Brito e de costas o Pogossian. Ao centro... é para dentro, pois vai bem com o melão e com o chouriço.







Claro que havia os Vivas que demoravam vários minutos, sempre com vodka Stalichnaia ou Limonaia.





A Teresa, o Manuel Brito por trás, o Carlos, o Pogossian, o Vladimir, a Galina, ?, de costas a Ana, a Gisela, o Pedro.



terça-feira, 25 de março de 2008

Destino ou um pouco mais?

http://www.myspace.com/sambaseneNestas viagens, o imprevisível, o inesperado, parece naqueles longínquos trinta anos uma coisa organizada, predestinada para acontecer. Na verdade não era.
Quem é que poderia esperar que existisse a situação que conto. Mas, se calhar era assim mesmo que as coisas estavam previamente organizadas.
A caminho de Calequisse, numa tabanca que já não me lembra o nome, resolvemos passar o olhar por um conjunto de moranças num quase fim de tarde. Logo, topamos junto a uma paupérrima casa de sibes, palha, forrada com um barro já a cair, sentada, sobre os calcanhares, imóvel, uma velha senhora (parecia, pois na verdade não teria mais de trinta e poucos) com os braços cruzados, com cada mão parecendo segurar uns antebraços esquálidos, segurando um tesouro, o seu. O seu olhar descarregou em nós um grito de “ajudem-me” mas, por outro lado, também de contemplação. De quem já está noutra dimensão da vida. Os olhos grandes quase saltavam de uma face desprovida de massa muscular, que terminava num lenço enrolado na cabeça, à maneira manjako.
Abeiramo-nos largando um “Boa tarde camarada” que obteve um murmúrio quase imperceptível. De repente, ou talvez não, a Ana, eu e a Denise fixamo-nos no regaço.
Todos tivemos dificuldade em descodificar a imagem.
Saía dos panos azuis e brancos do regaço, uma cabecinha do tamanho de uma laranja, uma carinha dominada por uns grandes olhos. Uma criança pois!
A Ana com o seu gesto maternal pediu para pegá-la. Os nossos olhos quase saltavam de lágrimas e de espanto. Nunca tínhamos visto uma criança daquele minúsculo tamanho. Estava viva, tinha uns vinte e cinco centímetros de tamanho.
Perguntamos ao chefe da tabanca o que se passava.
A resposta foi esclarecedora: aquela mulher estava apenas a aguardar que os espíritos a levassem a ela e à criança. Já tinham consultado todos os sábios. Deveria partir. Ninguém lhe daria ajuda, pois esse já era o destino.
Propusemos ao grupo ir sem demoras para o Hospital de Kantchungo no Land Rover da missão arqueológica. O secretário Mendonça e o chefe da tabanca aconselharam a não fazê-lo. Estava já preparado o “tchoro,” . Era essa a tradição. Logo se lhes juntaram os dois senegaleses e contra nós, brancos. Dizia compreensivelmente o nosso colega senegalês: “vocês brancos têm de respeitar as tradições africanas.” Lembro-me de lhe ter respondido: “eu sou tão africano como tu, mas acima disso espero que compreendas que somos humanos. Não vamos discutir sobre isso: esta mulher e esta criança têm o direito de serem tratadas, quer o Irã queira ou não.” Depois de uma rápida negociação e antes que houvesse intervenção dos familiares, metemo-nos do jeep, não
sem que pedíssemos para avisar pelo balafom que deveriam os familiares ir visitá-la ao hospital.
Chegamos a Kantchungo já de noite. No Hospital, estavam à porta três chinesas e um chinês, vestidos de imaculadas batas brancas, uns quedes pretos e umas soquetes brancas. Levamos a mulher e entregamos a criança, que foi todo o tempo ao colo da Ana. Ainda à entrada, foi-nos dito que a mãe teria provavelmente tuberculose e que a criança precisava de incubadora. Perguntaram-nos então num creoulo bem arrevesado: - ” Medicina chinês ô medicina ocidental? A resposta foi pronta: - “Não queríamos saber qual a medicina mas simplesmente que era necessário salvar os dois.”.
Uns quinze dias depois, já no Senegal, a Denise manda uma recado dizendo que os dois tinham sobrevivido, pois visitara-os havia uns poucos dias. A família tinha acampado no hospital.



Irã = espírito grande, entidade que governa os espíritos dos antepassados do clã e os vivos.
Kantchungo = cidade do chão Manjaco.
Sibes = barrotes de tronco de palmeira.
Tabanca = kimbo, aldeia.
Tchoro= choro, luto.

sábado, 15 de março de 2008

Meios de comunicação alternativos


.


A caminho de Calequisse. Encontramos um grupo de bajudas que íam à feira vender uns potes, maravilhosamente confeccionados e que nos venderam um,(ainda o temos.)

Na Guiné Bissau, como noutros países, a comunicação entre as comunidades ou entre cada comunidade, é absolutamente imprescindível. Não comunicar é sinal de desprezo pelos seus familiares, falta de humildade e insanidade.
Durante a luta armada pela sua identidade, os guineenses passaram a usar os seus meios tradicionais de comunicação para as operações de guerra e o operador de comunicações, retomou o seu estatuto.
Numa das missões que efectuamos ao serviço do Comissariado de Estado da Cultura, em prospecção arqueológica, fomos acompanhados pelo administrador da região de Cacheu e no caminho de Calequisse, sem telefone portátil ou outro meio electrico de comunicação, era necessário perguntar se tínhamos caminho livre para uma tabanca no mato profundo, perto da costa.
O motorista do Land Rover (senegalês) não queria arriscar atolar o jeep numa "lala" (clareira na floresta normalmente alagada), e no meio da discussão de planos para aqui e para acolá,(como bons africanos, soltos na conversa e parcos na acção) o nosso bom secretário da administração, (não me recordo do nome) fez então uso do seu conhecimento da terra.
Decidiu que deveríamos tentar na tabanca mais próxima, falar com algum sekulo (na terra - Homem Grande) para resolvermos seguir viagem ou não.
Chegados à tabanca, meio em creoulo meio em francês (na região dos manjacos o francês é a língua estrangeira mais comum) lá ficamos a saber, que era preciso saber o estado de uma velha ponte de troncos feita no tempo colonial pela tropa.
Como fazer? o homem grande disse " prabulema Ca tem camarada, nô bai sibi, nã próprio, quinti quinti!" ( não há problema vamos já saber depressa). Fomos encaminhados até à morança do operador de Bombomlom (telégrafo). À porta deparamo-nos com o transmissor: uma secção de tronco de um poilon (sumaúma) escavado profundamente e duas baquetas - nada mais.
Sentou-se e começou a transmissão uns dez minutos com umas batitas fortes espaçadas outras curtas e já está. Passado uma hora, ouvimos ao longe a resposta um som longínquo, a resposta: " a baga-baga comeu os troncos" (salalé).
Azar!
E pronto: sem gasto de energia, bastaria um conjunto de repetidores e aí estão as notícias.
Este recurso foi pouco depois utilizado para outra operação.




Aí está o Bombolom e o seu operador

sábado, 8 de março de 2008

Na Guiné-Bissau, com o Dr. Mário Pinto de Andrade.



(foto in blogue dos meus ex-colegas Fernando Alves e Leston Bandeira, este último esteve comigo na Guiné, como correspondente da Lusa, creio eu)

Neste país, onde fomos cooperantes de 1979 a 1983, tivemos várias aventuras.
Uma que vamos contar começou com o convite feito pela Comissária de Estado Maria da Luz Boal, que a pedido do Comissário de Estado da Cultura, Mário de Andrade (nosso compatriota) nos pedia para acompanharmos uma delegação da Universidade de Dakar em prospecção de concheiros do Neolítico. Essa delegação era composta por um arqueólogo Senegalês e uma historiadora francesa. A razão do convite tinha a ver com o facto de não haver na Guiné (ainda) qualquer arqueólogo e nós por trabalharmos no Gabinete de Estudos e Orientação Pedagógica, apesar de estrangeiros ( embora fossemos considerados da casa).
O Encontro deu-se uma bela manhã em casa do Comissário Mário Pinto de Andrade que ficou encantado de sermos angolanos, enfiado no seu bubu azul, tipo túnica bordado como era costume entre os fulas ou mandingas. Teve a pachorra de ouvir a nossa história de como chegamos à Guiné, depois de declinarmos um convite/promessa para bolseiros na Universidade de Rennes, para um D.E.A..
Lá fomos apresentados por ele à equipa dos quais só me lembro da francesa Catheryne, esqueci-me do nome do arqueólogo e historiador, curiosamente, especialista segundo disse, em canhões e armamento portugueses do século XV e XVI (curioso, um Djolof com esta especialidade). Lembro-me que de Angola só nos perguntou de onde éramos e onde tínhamos estudado (percebi porque se mantinha em silêncio sobre a terra) e tivemos o bom senso de também não falarmos de Angola, embora estivesse a dada altura quase compelido a dizer-lhe que simpatizava com a causa e com as pessoas da Revolta Activa. Falamos de literatura africana, da História de África e da necessidade de avançar com a arqueologia na Guiné, convidando-nos a apresentar um plano à sua lugar-tenente Iva Cabral, filha do seu companheiro de guerra Amílcar, então Directora Cultura.
Depois de uns sumos de calabasseira (a nossa múkua) refrescantes tomados no alpendre de sua casa bem modesta, onde tinha hospedado a equipa senegalesa, fartou-se de contar histórias sobre as makas dos países africanos, das quais retenho uma muito curiosa.

Contou-nos a sua experiência quando foi representar a Guiné-bissau no X Congressso Pan Africano da Cultura, realizado em Lagos. A história foi mais ou menos esta: no aeroporto o chefe do protocolo começou por lhe dizer ao ouvido para se dirigir à casa de banho para guardar a carteira junto às cuecas. Espantado e não querendo ser indelicado, decidiu-se a perguntar se se tratava de algum costume protocolar. A resposta fora simples e bem pragmática: “Senhor Ministro” dizia o zeloso oficial: “Lagos tinha um problema que ainda não tinham conseguido resolver - o roubo”. Incrédulo, contou a rir, insistia então na tentativa de não aceitar o convite, perguntando-lhe que faziam então os seguranças Ibos que tinham sido colocados à disposição. A resposta, segundo disse, tinha sido mais pragmática: é que não podia assegurar que eles se contivessem em não lhe ficar com a carteira e assim, de mãos a abanar, seria muito mais seguro, na melhor das hipóteses, ficar com a carteira intacta ou na pior, poder andar com a cabeça em cima do pescoço. Mário acabou por aceitar então uma bolsa em tecido com uma fita para amarrar à cintura, onde colocou a carteira, debaixo do bubu, como todo o mundo.
Deixamos a casa do Comissário de Estado, fora a última vez que o vimos, apesar de termos várias vezes com entrevista marcadas e sempre adiadas porque sucediam sempre coisas à última da hora. Esclareço que não era porque vida de um ministro da cultura fosse muito preenchida, mas porque Mário de Andrade estava sempre e inesperadamente, a ser convidado por várias entidades para se deslocar para todo o mundo, não para tratar especificamente de matérias do Estado Guineense, mas para tratar de assuntos que lhe eram queridos: a cultura africana, a poesia e a literatura. Viria a ser depois Alto funcionário da Unesco). Lembro-me que enquanto foi comissário nunca vi na Guiné tantas iniciativas culturais: Saraus de balet da China, ciclos de cinema de vários países, exposições de arte...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Radiohead - I Might Be Wrong - Music Video

Os Radio Head, com direito a "encore", exprimem o preverso, as fobias, os silêncios depressivos, as fantasias psicóticas das sociedades ultra urbanizadas. As batidas sincopadas, quase autistas, os andamentos e o "frenetismo de Thom York, completam o ramalhete quase autista.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Radiohead

A força criadora desta banda tem nesta produção tal energia, que me faz lembrar um pensamento de uma amiga sobre as casas de Angola: as casas de lá gritam!penso que elas reclamam apenas...por donos mais sensíveis.

sábado, 26 de janeiro de 2008

3D Film for Architecture - City in Benguela - Angola

A loucura perfeita. De facto a loucura do "crescimento" e degustar do modelo capitalista na sua forma mais bizarra, tem conduzido Angola para uma espécie de palco de festivais de mediocridade, com o único propósito de viver numa fantasia pueril. Coube agora à Baía Azul esta bizarria.
Alguém vai empochar mais uns milhões! seguarmente não será o povo.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Manu Dibango SOUL MAKOSA WITH FANIA ALL STARS

O Manu di Bango tem um registo que alguns classificam de Jazz Africano. Como se ele não fosse outra coisa. As peças do Manu estão bastante próximas de um outro grupo que, nos fins dos 60s nos enchiam as garagens! os Osibisa.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Duane Allman

The Allman Brothers perderam o seu melhor guitarrista muito cedo. Esta melodia de Duane Allman, entrava pelas nossas casas num dos melhores programas de rádio dos setenta "Música da América". Nunca me esqueço de me "lembrar" destes estes acordes.

Viagens

Os africanos em geral, viajam muito. Manter-se em contacto com os parentes faz parte de um ritual que mantem as pessoas isentas do pior dos males em África: o mal olhado. Partilhar o que for possível ajuda a manter o clã ( para empregar um termo da antropologia cultural) em paz com todos e com os antepassados.
Na Guiné Bisasau, a minha segunda pátria, todos os meios de transporte são válidos para se cumprir esta sina. Lá, sem família para além daquela "portable" viajavamos para conhecer a terra e para trabalhar.
Bubaque era um destino que nos ocupou algumas férias de Páscoa ou então, fins de semana prolongados. Uma estância construída em madeira na Europa, com alojamentos muito semelhantes ao que equipam alguns estaleiros de construção civil e um mobiliário parco mas confortável, era quanto bastavam, quando havia dinheiro. Nas mais das vezes o campismo era uma solução, quando eram mais dias.
Os meios de transporte eram o pior.
Mas, como como estavamos tirocinados em matéria de desenrascanso, todos os meios eram usados. Desde o moderno Cassacá ( tipo cacilheiro), à barcaça de desembarque (LDG) da antiga marinha de guerra colonial, ao barco de pesca Oracuma oferecido pelos suecos, ao helicóptero MI8 das FARGB, passando pelo fokker velhinho da TAGB ou o mais velho Dornier, herdados da colónia. Umas vezes a pagar outras à boleia. ( por isso é que a África é inegualável).



O moderníssimo Cassacá em operação de desembarque de passageiros no cais de Bubaque ( Bijagós)














O barco de pesca Oracuma, com casco em cimento armado, que levava tudo menos pesca: angolanos, mouros (Mauritânia), bijagós, papéis, italianos... fica um pouco difícil distinguir o mouro do angolano.



Aqui uma Ldg semelhante à que nos deu boleia, com a ilha de Rubane ao fundo.





A Ldg da nossa aventura. Como vêem não havia resguardos e instrumentos de navegação, apenas uma bússula. Passadas duas horas desta foto, de noite, levantou-se uma mareta que nos fez dizer mal das nossas vidas. Nós agarrados à nossa filha de 4 anos, o Fernando ao macaquinho fula de uns meses.



O piloto acalmou-nos dizendo as confortáveis palavras " Ca tene problema camarada! bós ca na bai murri!"
Lá chegamos sãos e salvos a Bissau pelas 23 horas.






O nosso MI 8 . Como dava aulas no palácio, o Presidente Luís Cabral fez o favor de nos sugerir apanharmos boleia numa das viagens que o MI teria de fazer a Bubaque, para a levar a logística para a recepção ao Presidente Sekou Turé.

Lá fomos para a base aérea com as imbambas de campismo.



O excelente aparelho estava preparado para levar 11 toneladas de carga. Fomos por cima de sacos de arroz, caixas de corvina, malas e outras biquatas necessárias.



A carga e os passageiros provavelmente excediam o que estava previsto, porque em vez de descolar na vertical, como qualquer heli, o piloto percorreu uns duzentos metros de pista como se fosse um reles aeroplano.

Dá para ver o conforto da viagem de cerca de duas horas no "Vertalhoss"
















O Friendship pilotado pelo portuguesíssimo Pombo aqui a descolar do aeroporto de Bubaque.

Como não havia carreira regular, a pista era aproveitada para pasto das vacas anãs da ilha.

O Pombo ( nome a condizer com a profissão) assegurava-se primeiro que a pista estava desocupada dando umas voltas à pista, para que os pastores levassem o gado para um lugar mais apropriado.







domingo, 13 de janeiro de 2008

voses... a escutar


do frio vêm por vezes melodias bem aventuradas com timbres pueris mas tão singelos, que nos deixam embalar e fazer uns rewinds pesquisando lugares, cheiros, cores, ajustáveis.
Um desses lugares foi uma praia do Báltico que visitei a praia de Greissvald no Norte da Alemanha.
A melodia que escolhi é uma das preferidas da excelente banda sonora do filme Romeu e Julieta, onde o Di Caprio ganhou celebridade.
A voz de Stina Nordenstam destaca-se, nesta melodia/balada onde dialoga com um sax e um coro que entoa um cântico em latim soberbo sobre uns acordes de guitarra magníficos e simples.

Escutem....

domingo, 29 de abril de 2007

No início..


Eu.
Eu nasci numa terra de muito mosquito. Esse inconveniente era, porém ultrapassado ( além dos mosquiteiros, da "tifa" e do "flit") pela beleza incomparável da restinga. Pelo facto do meu pai trabalhar no CFB, que tinha um bom hospital, talhado em estilo inglês colonial, para lá se encaminhou a minha mãe. Perto da praia, claro está, por isso fiquei caranguejo.

Mas o Lobito... bem, era o Lobito, os arredores de uma grande cidade - A cidade dos poetas, dos contestatários, dos intransigentes, dos siripipis e dos matrindindes. Era para lá que a vida estava virada. Benguela.
Além do mais era uma terra que tinha um rio com nome de presidente: o Cavaco. Lugar de excelência - das hortas e da passarada. ( foi ali que fui passear com a minha mãe aqui ao lado)











o Cavaco - Um rio manhoso, tal como o epónimo, mas bem aventurado: tem camarão!

O Cabo das três pontas era o lugar onde eu passaria o tempo a mirar enquanto crescia. Era assim que os primeiros navegadores se referiam, quando passavam pelo típico cabo, baptizado mais tarde, por sombreiro. Terá sido um marinheiro, vindo do Pacífico Oceano, que, avistando-o, se lembrou da forma cónica dos chapéus dos patuscos chins. Como não lhe ocorreu o nome verdadeiro, logo lhe chamou de sombreiro. ( esta história é inventada). Mas não se esqueçam! esta cidade nasceu com nome branco, de um tal Filipe que era castelhano, (por cima de um kimbo de nome Benguela, filha de Ombaka,) por isso "sombrero"! Olé!

Mas alguém teve melhor sorte de ter crescido senão nesta cidade? Não,... não há!


Por isso aproveitei. A minha mãe ensinou- me que todas as melhores brincadeiras tinham a ver com três coisas: terra, água e árvore. O resto eram adereços.
Só que tinham um problema: sujavam e isso era muito bom.

Como todos os
minino, brincava como todos os filhos de ferroviários e meninos dos bairros (em Benguela não há muceques) abeirado dos comboios e de tudo o que eles, traziam e levavam: cana e croeira ( mandioca seca).
Aprendi rápido todos os truques para não ser apanhado pelos guarda freios.

Cedo descobri que no mar é que todos tínhamos sido gerados. Aprendi que Kalunga tinha as suas filhas: as kihandas, que chamavam à Praia Morena todos os benguelenses: brancos, pretos e mulatos, cafusos e cabritos.

Na Praia Morena todos aprendemos a nadar, a fazer laços para apanhar andorinhas do mar, a dar bicos nos caranguejos, a apanhar colo-colos e mariquitas nas pontes.

A Praia Morena tinha os seus encantos e desencantos
, do hospital até ao Conde: de manhã para os brancos mulatos e assimilados e de tarde, para os pretos. O resto era de todos.
Era de tarde que eu mais gostava. Não tinha que gramar a escola. Partia com os criados. pescar com linha de nylon e chumbada de porca, ou experimentar os barcos que engendrava, na foz do Coringe, que era um rio ainda mais manhoso do que o Cavaco.

Como eu gostava de barcos! De tarde via chegar as chatas com aquela vela latina enfunada, com as fraldas a roçar na água e espantava-me como navegavam depressa, com a brisa a soprar do mar, carregados de caxuxo e carapau, governadas por valentes marinheiros. Vem-me então esta pergunta: quem os ensinou a navegar? - " foi, foi, o peixinho do mar" dizia a canção. Mas não - foi Kalunga dos mares.

Logo tratei de fazer um barco à vela: Bóias de câmara
de ar, mastro de pau de vassoura, verga de bambu, vela de pano de lençol e estrado de mocibe, para suportar tudo.

E assim, mais o co-piloto ( meu irmão Lelo) passei a descobrir terras e a desbravar esse mar Oceano, sem nunca poder parar até que me desfaça na espuma das ondas.













Até ao Liceu

Inevitávelmente, a escola tinha que surgir. 6 anos. O meu irmão João já lá andava. Escola 30, Estilo Plano Centenário, num longo quintalão ( Benguela era o paraíso dos quintalões) cheio de árvores centenárias, em frente ao prédio do Tantan e da vivenda do Machado, com a traseira virada para a antiga avenida Gago Coutinho. A Escola 30 tinha meninos pobres: muitos negros, mais mulatos e brancos poucos. Escola só para rapazes. Primeiro professor, o professor António segundo e última, a professora Aida. Chorei baba e ranho quando a minha mãe me deixou lá, para fazer a primeira classe.
(O Matrindinde servia para nós como brincadeira:

rebocava as caixas de fósforos e fazia corridas foto do Pinhão)
A turma tinha muitos alunos divididos em dois grupos: 1ª e 4 classe. Depressa aprendi a venerar os intervalos, lugar de grande competição e de fraternidade. Ninguém comia o lanche sem partilhar. O não cumprimento, correspondia a uma " bábula" sem fuga: ficavas sem lanche.
Brincadeiras mil: paus de sorvete, carteiras de fósforos com caricaturas de jogadores jogados da parede. O prego, a bilha e a uéla. Corridas de cisnas (caricas) em circuitos escavados na terra. Canhé. Sóis. Todas as brincadeiras copiadas ou imaginadas. Bom faltava uma: jogos de futebol com bola de meia. Os colegas foram centenas. Na minha memória ficaram: o Olavo, o Reigadinha, o Sardinha ( o preto mais branco de Benguela) os Mafras, os Manitas, o Bonfim, o Wilson Santos ( esse mesmo da Unita), o Jordão ( do futebol) os Caotas ( Rui e Carlos) o Tito Marcolino...
Dois episódios marcaram
a minha memória da escola 30 - Um: à saída com a obrigatória bata branca e sacola feita de ganga, ía num grupo, junto às ruínas do cinema Pires, um dos que vinham atrás grita eu viro-me e apanho com uma pedrada que me rasgou a pele entre o olho e a cana do nariz. Rapidamente fiquei cheio de sangue e logo o meu irmão me enrolou a bata à cabeça e lá fui quase a desmair a pé até ao enfermeiro que ficava junto da Casa Branca. Cosido, lá fiquei à espera que o meu pai me fosse buscar. Morava em frente à congeladora do Borges.
Outro: Também à saída da Escola. 1961. Saímos já com o céu das seis horas carregado de nuvens profundamente azuis escuras. Quando passamos pelo Café Porto, começam as faíscas e os trovões a soar de uma forma aterradora. Começamos a correr e agarramo-nos à volta de uma árvore grossa que
ficava junto à Fazenda Pública, em frente da Tropicália. O polícia sinaleiro tinha já saltado da peanha e gritou-nos para saírmos debaixo da árvore rapidamente. A chuva começou a cair ferozmente e corremos para a Alfaiataria do Sampaio. Atravessámos entretanto a avenida 5 de Outubro já com água até ao lancil passeio. Estivemos por lá até tarde à espera que o nosso pai conseguisse vir buscar-nos. A Avenida era um rio, com água a roçar a porta da alfaiataria.





Uma das minhas moradas durante a infância (1º andar frente direito) em frente ao Portugal de Benguela foto da Yola)
Feita a terceira classe. Segui a tradição familiar: Velha Cló.Vou precisar: Colégio Paula Vicente na avenida 5 de Outubro ao lado da Câmara Municipal e em frente a um jardim monumental. Ali sentei-me pela primeira vez numa carteira com uma menina - a Lassalete - uma cabritinha que me ajudava nas contas. Como eu sofri com a Velha Cló. Dado curioso: já tinha sido professora da minha mãe e do meu irmão mais velho. Quase me matou de tanta reguada, chapada, castigo de joelhos em cima de areia. Sábados à tarde e quantos Domingos de manhã. Tudo isto à conta da Matemática. Os miúdos da velha Benguela conheciam a velha. Quando passavam nunca se esqueciam de gritar: Velha Culóóó! Gaióóóla! ( desses miúdos lembro-me de um: o Pinheiro "Coringa").

Disso resultou que passei na aptidão ao Liceu e Escola Industrial e Comercial. Feito no Cabo Submarino. Continuei a detestar a Matemática e... fui para o Liceu.
Outra onda começava a formar-se...